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06 janeiro, 2013

De Olhos Fechados

Sentado ali em frente de seu congá, o velho pai de santo relembra com surpreendente nitidez a sua infância e seu primeiro contato com a espiritualidade.

Nitidamente ele se vê na tenra infância a brincar sozinho no amplo quintal da casa de seus pais. Lembra-se que alguma coisa o fez olhar para as nuvens e que, diante dele, uma estranha imagem se formou: um velho sentado ao redor de uma fogueira e um menino a ouvi-lhe estórias. De alguma maneira o menino ao ver aquela cena sabia que se tratava dele mesmo.

O tempo passou e a cena jamais esquecida e também jamais revelada, o acompanhava em sonhos e lembranças.

Ele cresce e acaba se tornando um médium umbandista. Aos poucos vai conhecendo seus guias, que vão tomando seu corpo nas diversas "giras de desenvolvimento".

Primeiro o Caboclo, que lhe parece grande e forte, depois os demais, até que, ao completar 18 anos o seu Exu também recebe permissão para incorporar.

Já não é mais médium de gira. A bem da verdade, ocupa o cargo de pai pequeno do terreiro. Percebe que não tivera uma adolescência como o da maioria dos jovens que lhe cercavam na escola. Não vai a bailes, festas... Dedica-se com uma curiosidade e um amor cada vez maior à prática da caridade.

Os anos passam e ele acaba por abrir seu próprio terreiro. Inúmeras pessoas procuram os seus guias e sempre recebem um lenitivo, uma palavra de consolo e esperança. Foram tantos os pedidos e tantos os trabalhos realizados, que já perdera a conta. Viu inúmeras pessoas, que declaravam amor eterno pela Umbanda, se afastarem criticando o que ontem lhes eram sagrados, porque alguns pedidos não haviam sido alcançados na plenitude desejada...

Presenciou também pessoas que, vindas de outras religiões, encontravam a paz dentro do terreiro.

Este era mantido a duras penas, já que nada cobrava por trabalhos realizados (dai de graça o que de graça recebestes).

Solteiro permanecia até hoje, pois embora tivesse várias mulheres que lhes foram caras, nenhuma delas suportou ficar ao seu lado. Para ele, a vida sacerdotal se impunha a qualquer outro tipo de relacionamento. Mesmo assim, amava todas àquelas que lhe fizeram companhia em sua jornada terrena.

Brincava o velho pai de santo, quando lhe perguntavam se era casado, sempre respondendo bem humorado que se casara muito cedo, ainda menino. A curiosidade dos interlocutores quanto ao nome da esposa era satisfeita com uma só palavra: Umbanda. Este era o nome de sua esposa.

Com o passar do tempo a idade foi chegando. Muitos de seus filhos de fé seguiram seus destinos, vindo a abrir, eles também, suas casas de caridade. O peso da idade não o impede de receber suas entidades e ainda ecoa pelo velho e querido terreiro o brado de seu Caboclo, o cachimbo do Preto Velho perfuma o ambiente, a gargalhada do Exu ainda impressiona, a alegria do Erê emociona a ele e todos... Enfim, sente-se útil ao trabalhar.

Hoje não tem gira, o terreiro está limpo, as velas estão acesas e tudo parece normal. Resolve adentrar ao terreiro para passar o tempo. Perdera a noção das horas. Apura os ouvidos e sente passos ao seu redor. Percebe que alguém puxa pontos e o atabaque toca. Ele está de frente para o congá. O cheiro da defumação invade suas narinas... Seus olhos se enchem de lágrimas na mesma proporção que seu coração se enche de alegria.

Estranhamente, não sente coragem ou vontade de olhar para trás... apenas canta junto os pontos.

Fixa as imagens do altar, fecha os olhos e ainda assim vê nitidamente o congá.

Parece que percebe o movimento do terreiro aumentar, vira de costas para o congá e a cena o surpreende: vê Caboclos, Boiadeiros, Pretos Velhos, Marujos, Baianos, Erês e toda uma gama de Guias. Até os Exus e Pomba Giras estão ali na porteira. Se dá conta que os vê como são - não estão incorporados, todos lhes sorriem amavelmente.

Dentre tantos Guias percebe aqueles que incorporam nele desde criança. Tenta bater cabeça em homenagem a eles, mas é impedido. O Caboclo, seu guia de frente se adianta e lhe abraça, brada seu grito guerreiro sendo acompanhado pelos demais.

O velho pai de santo não aguenta e chora emocionado...

As lágrimas lhe turvam a vista. Ele fecha seus olhos e ao abrí-los, todos os guias permanecem em seus lugares, porém calados...

Nota uma luz brilhante em sua direção. Iansã e Omulú se aproximam. Seu Caboclo os saúda e é correspondido.

A luz o envolve. Já não se sente velho, na verdade sente-se jovem como nunca, seu corpo está leve e levita em direção à luz. Todos os guias lhe fazem reverência.

O terreiro vai ficando longe envolto em luz... Sorri alegre, missão cumprida...

No dia seguinte encontram seu corpo aos pés do congá. Parece que sorri...


Texto de Cássio Ribeiro

14 setembro, 2012

Pare com tudo!

Se Deus tivesse falado:
 
Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
 
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
 
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
 
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
 
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
 
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
 
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
 
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
 
Eu te fiz absolutamente  livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.
 
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
 
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
 
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
 
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
 
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quanto tomas banho no mar.
 
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
 
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
 
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?
 
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.


23 agosto, 2012

UMBANDISTA SIM, Macumbeiro também!

Muitos Umbandistas se ofendem quando chamados de "macumbeiros", mas isso não tem a ver com o significado da palavra e nem com sua identidade religiosa e, sim, com o que fizeram desta palavra.

Se o "outro" me chama de "macumbeiro", no tom de suas palavras eu percebo o quanto está carregado de preconceito, ou não. Principalmente por conhecer ou desconhecer o que seja "macumba". Ignorantes da fé e religiosidade alheia em atitude de discriminação se utilizam desta palavra, "macumba", lhe atribuindo significado negativo.

Logo a palavra "macumba" assumiu, popularmente, uma grande quantidade de significados, positivos e negativos, mas que no inconsciente coletivo vem assumindo um peso resultante da grande massa que discrimina os cultos brasileiros e afrobrasileiros, como Umbanda e Candomblé.

Talvez a estrutura da palavra não ajude muito. Eu mesmo e alguns conhecidos, anos atrás, dizíamos pertencer à "Boacumba", com a intenção de desassociar a idéia de uma "coisa" que é "Má".

Me lembro de recomendações feitas por mim e por outros irmãos com estas palavras: "Quando lhe perguntarem se você é macumbeiro diga: sou umbandista, com muito orgulho!"

Resposta pronta para dar a um ignorante/preconceituoso, arrematada com: "macumba não é religião e sim um instrumento de percussão", apenas para dar ao incauto seu atestado de ignorante, certificado por um "macumbeiro".

Ao mesmo tempo entre nós umbandistas, sempre fica a brincadeira num misto de ironia e  descontração: "bando de macumbeiro", "seus macumba", "já vem ou já vai, macumbeiro", "tá macumbando o quê por aí?". Coisa de quem gosta de irreverência consigo mesmo, de gente que ri exatamente do que lhe oprime.

Algo como a diferença entre cor e raça. Por exemplo: O outro não pode me chamar de "preto", pois preto é cor e negro é a raça (etnia). Mas eu, que sou negro, posso me chamar de preto e chamar o outro de preto, afinal o preconceito não está na palavra e, sim, na forma como a empregamos. Ao mesmo tempo, estamos rindo e ironizando o outro que me chama de "preto" e acredita que com isso poderia me diminuir.

Em qualquer dicionário vamos encontrar uma definição larga e genérica para a palavra macumba, mas em todos deverão ser citados aspectos positivos e negativos da mesma.

Câmara Cascudo em seu "Dicionário do Folclore Brasileiro" define a palavra Macumba: "Instrumento musical africano (de percussão), que dá um som de rapa; o mesmo que candomblé, correspondendo ao xangô pernambucano. Diz-se mais comumente macumba que candomblé, no Rio de Janeiro, e mais candomblé que macumba, na Bahia. Macumba, na acepção popular do vocábulo, é mais ligada ao emprego do ebó, feitiço, coisa feita, muamba, mais reunião de bruxaria que ato religioso como o candomblé."

Mesmo em Câmara Cascudo, ficamos por entender algumas nuances e aspectos da palavra em sua sutileza de origem etimológica e determinação de um culto, pois quando se generaliza candomblé, xangôs, macumba e, porque não, umbanda, estamos colocando coisas diversas num único saco, que costuma-se chamar de afro-brasileiro.

Logo, o termo "macumba" é reconhecidamente uma identificação de religiosidade brasileira sincrética, a qual se associa  com as religiões citadas e outras. A carga pejorativa se dá no momento em que a mesma palavra passou a ser utilizada como sinônimo de "Magia Negra" (Magia Negativa), que em nada define a prática de uma raça e, sim, a intenção de fazer o mal por meio de ritual, seja lá qual for.

A relação do termo com o Rio de Janeiro é bem simples. "Macumba" é o nome ao qual se auto identificaram os religiosos Bantu (Angola, Congo, Cabinda, Cachéu...) estabelecidos no Rio de Janeiro por força do tráfego negreiro, é o nome da Religião Afrobrasileira que se estabeleceu naquele estado com suas peculiaridades e identidade bem próximas ao que hoje chamamos de "Candomblé de Angola" ou "Candomblé de Caboclo", com influências de "Cabula" e "Kimbanda Africana", um culto sincrético simples e inclusivo, muito próximo e parecido com a Umbanda. Quando surge a Umbanda no Rio de Janeiro, já havia grande preconceito com a "Macumba".

Minha amiga querida e sacerdotisa Adelaide Scritori, conta que, certa vez, um africano teria lhe dito que em sua língua, creio que no quimbundo, entre outras definições, a palavra Macumba quer dizer: "Dançar sobre as águas", o que dá um tom e interpretação encantadora para a palavra. Afinal se está relacionada ao instrumento musical (macumba), também está relacionada à dança macumba, esta que se faz ao som de tal instrumento, dentro de um contexto, claro.

Com o movimento federativo umbandista da década de 1950, houve uma valorização da Umbanda, surgiu a legalização dos terreiros e uma crescente construção teológica de seus fundamentos, até hoje diversos na forma e unos na essência. Assim, muitos adeptos da "macumba", do culto afro-brasileiro-bantu, migraram para a Umbanda, outros simplesmente passaram a se identificar como umbandistas, sem no entanto, mudar nada em suas práticas.

Este foi um período em que surgiram homens como o saudoso Tata Tancredo, precursor do Culto Omolocô. Em sua dialética afirmava que tudo é Umbanda, todos os cultos com influência ou origem afro seriam Umbanda, reflexo da força que a Umbanda conquistou na época. Algo muito parecido com o que alguns umbandistas fazerm ao se declarar "espíritas", o que, a rigor, define a doutrina de Kardec, por este codificada, mas que no sentido popular se torna quase que uma palavra genérica confundida com outra: espiritualista. Mas o genérico neste caso é algo que não define nada, apenas divaga e as vezes esconde uma vergonha, não se sabe do que, afinal todos deveriam ter orgulho e muito de sua fé e religiosidade.

Como conclusão, embora tenha uma carga pejorativa popular associada a "Magia Negra", a palavra Macumba também se refere de forma indistinta a todas as práticas de religiosidade afro-indígenas-brasileiras, que sejam afros, afro-brasileira, afro-indígena e brasileira mesmo, como é o caso da Umbanda. Esta palavra não define nem especifica qual religião o "macumbeiro" segue, mas indica que faz parte de um bojo de religiosos que tem alguns valores em comum como, por exemplo, a ausência de um "livro sagrado" ao qual sua prática estaria dogmaticamente vinculada.

Outra característica forte comum a todos "macumbeiros" é a liberdade de viver com menos preconceitos, pois o discriminado aprende logo cedo a não discriminar. Uma vida de menos moralismos e falsos pudores e mais amores, sorriso, canto e alegria, características fundamentais que vêm das entranhas de todo "bomcumbeiro", quero dizer bom macumbeiro...

Logo, quando perguntam qual a minha religião, minha resposta na ponta da língua é: "Sou Umbandista, com muito orgulho!"

Mas também me sinto muito a vontade de me sentir parte de um grupo discriminado e que faz desta mesma discriminação motivo de graça e descontração, pois com os Orixás aprendi que cada um tem seu valor pelo que é e não pelo rótulo que carrega.

Sou Macumbeiro, Macumbeiro Umbandista, sou até Espírita Umbandista, Afro-Indígena-brasileiro Umbandista... Sou UM, só mais UM, macumbeiro...

UMBANDA NÃO É PARA O MEU EGO,
UMBANDA NÃO É PARA A MINHA VAIDADE,
UMBANDA NÃO É PARA ME PROMOVER...
Umbanda é para minha FÉ,
Umbanda é para meu AMOR,
Umbanda é para meu AUTO CONHECIMENTO,
Umbanda é para meu EQUILÍBRIO,
Umbanda é para minha DISCIPLINA,
Umbanda é para minha EVOLUÇÃO,
Umbanda é para minha VIDA...


Texto de Alexandre Cumino

08 agosto, 2012

Morrer é voltar para casa

Quando a morte chega, com sua bagagem de mistérios, traz junto divergências e indagações.

Afinal, quando os olhos se fecham para a luz, o coração silencia e a respiração cessa, terá morrido junto a essência humana?

Materialistas negam a continuação da vida. Mas os espiritualistas dizem que sim, a vida prossegue além da sepultura.

E eles têm razão. Há vida depois da morte. Vida plena, pujante, encantadora.

Prova disso? As evidências estão ao alcance de todos os que querem vê-las.

Basta olhar o rosto de um ser querido que faleceu e veremos claramente que falta algo: a alma já não mais está ali.

O espírito deixou o corpo feito de nervos, sangue, ossos e músculos. Elevou-se para regiões diferentes, misteriosas, onde as leis que prevalecem são as criadas por Deus.

Como acreditar que somos um amontoado de células, se dentro de nós agita-se um universo de pensamentos e sensações?

Não. Nós não morremos junto com o corpo. O organismo voltará à natureza - restituiremos à Terra os elementos que recebemos - mas o Espírito jamais terá fim.

Viveremos para sempre, em dimensões diferentes destas. Somos imortais. O sopro que nos anima não se apaga ao toque da morte.

Prova disso está nas mensagens de renovação que vemos em toda parte.

Ou você nunca notou as flores delicadas que nascem sobre as sepulturas? É a mensagem silenciosa da natureza, anunciando a continuidade da vida.

Para aquele que buscou viver com ética e amor, a morte é apenas o fim de um ciclo. A volta para casa.

Com a consciência pacificada, o coração em festa, o homem de bem fecha os olhos do corpo físico e abre as janelas da alma.

Do outro lado da vida, a multidão de seres amados o aguarda. Pais, irmãos, filhos ou avós - não importa.

Os parentes e amigos que morreram antes estarão lá, para abraços calorosos, beijos de saudade, sorrisos de reencontro.

Nesse dia, as lágrimas podem regar o solo dos túmulos e até respingar nas flores, mas haverá felicidade para o que se foi em paz.

Ele vai descobrir um mundo novo, há muito esquecido. Descobrirá que é amado e experimentará um amor poderoso e contagiante: o amor de Deus.

Depois daquele momento em que os olhos se fecharam no corpo material, uma voz ecoará na alma que acaba de deixar a Terra.

E dirá, suave: "Vem, sê bem-vindo de volta à tua casa!"

********************************

A morte tem merecido considerações de toda ordem, ao longo da estadia do homem sobre a Terra.
É fenômeno orgânico inevitável porque a Lei Divina prescreve que tudo quanto nasce, morre.
A morte não é pois o fim, mas o momento do recomeço.

Pensemos nisso.


(Redação do Momento Espírita)

 

09 abril, 2012

A Alma também...

Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.

Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.

Estimamos a imunização na patologia do corpo.

Será ela menos importante nos achaques do espírito?

Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.

Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.

Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.

Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.

Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade.

Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.

Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.

Empenhamo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que nossa palavra não se faça azorrague de sombra.

Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.

No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.

A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte não existe.

Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.


Texte de André Luiz.
 

24 fevereiro, 2012

Para crescer espiritualmente, é preciso saldar dívidas humanas...

Um homem agonizava em seus momentos finais e, por isso, seu anjo veio para junto dele, para ajudá-lo em seu encaminhamento espiritual e levá-lo quando chegasse a hora. Sentindo a presença do anjo, ele se recordou de toda sua longa vida e exclamou: - Anjo, é a minha hora. Estou feliz porque tenho certeza de que nesta minha passagem pela terra consegui saldar todas as minhas dívidas, fossem elas materiais ou espirituais. Parto tranquilo, acreditando não dever mais nada a ninguém e convencido da minha total e merecida libertação. Lutei e me dediquei durante toda essa vida, fui correto, humilde e leal. Estarei libertado? Livre de todo o carma?

O anjo então respondeu:

- Meu caro, a tua intenção foi muito boa, você realmente segue agora comigo e não deixa para trás nenhum resgate a cumprir. Porém, a libertação total você não vai alcançar apesar dos teus esforços, pois ter desfeito todas as dívidas não te garante a liberdade total. É apenas um dos muitos e muitos passos que devemos cumprir em nosso percurso de crescimento espiritual, rumo à plenitude.

Surpreso, o homem retorquiu:

- Não? E por que não? O que mais eu deveria ter feito? Que responsabilidade deixei de abraçar?

O anjo, sereno, voz limpa, explicou:

- Porque ainda há pessoas que ficaram devendo a você, uma vez que não saldaram as dívidas humanas contigo. Enquanto te deverem, por mais que você nada deva e que os séculos passem, você não terá libertação integral.

Fala o homem, voz baixa, quase inaudível, já levantando para partir de braços dados ao anjo:

- Entendo, anjo. As coisas são assim mesmo, em vias de dupla mão. Nada adianta progredir sem poder contar com o progresso alheio. Resigno-me e em tranquilidade, abaixo seu amparo precioso, aguardo sereno o desenrolar das ações do carma, sempre na esperança de que a roda gire positivamente e que possa toda a humanidade se desenvolver na direção correta.

Completa o anjo, alçando o homem para partirem eternamente juntos:

- Sabia que você compreenderia sem dor ou amargura. Estive observando-o longamente e sei que você é bom. Sua recompensa não tardará e, enquanto aguarda, muita tarefa poderá desempenhar junto aos círculos mais avançados de maturidade espiritual. Venha comigo e não pense que essa nossa conversa, final paras uma etapa, será a derradeira entre nós. Mais e mais lições te esperam e conto com sua humildade para entender o que será indicado.

Texto de Marina Gold

20 setembro, 2011

Tudo Passa...

A vida não espera.
Por onde você for, o tempo não para. O que ficou, ficou... O que se foi, passou...
É a vida em movimento. Somos viajantes eternos em suas trilhas.
Parece que somos passageiros na eternidade. Na verdade, somos o eterno no movimento da vida que segue.
Na natureza, tudo passa! O traço característico da existência é a impermanência.
As coisas mudam... Pessoas e situações vão e vêm em nossas vidas, entram e saem na esfera de ação do nosso viver. A vida é assim!
Há um tempo para tudo: o amanhecer, o meio-dia e o anoitecer. Da mesma forma, há um tempo para semear e colher; nascer, viver, partir, renascer e seguir...
Tudo passa!
O que marca é a experiência adquirida. As culpas e as mágoas também passam!
No rio da vida, as águas do tempo curam tudo, pois diluem no eterno as coisas passageiras.
As coisas estranhas que aconteceram, os dramas e as palavras que feriram também passam... se você permitir. Sim, se você se permitir notar que o tempo leva tudo, e que a vida segue...
Aquele ressentimento antigo ou aquelas emoções apagadas que, vez por outra, bloqueiam a sua alegria fazem parte do que é temporário, mas você é eterno.
Essas emoções passam por você, mas que tal superá-las?
Que tal passar por elas, sem se deter, apenas ficando a experiência e seguindo a vida?
Sim, tudo passa mesmo!
As estações se sucedem no tempo certo: primavera, verão, outono e inverno.
Isso é natural! Como é natural seguir em frente, pois o tempo não pára e a vida segue...
E temos o Grande Arquiteto do Universo, o Supremo Comandante de todas as vidas e de todos os tempos nos abençoando sempre.
As experiências vão, mas o aprendizado fica. A evolução é inevitável!
Tudo a seu tempo!
Enquanto evoluem e aprendem a arte de viver, sejam felizes...
E não se detenham até alcançar a sua meta!
Que a luz do discernimento e dos sentimentos mais elevados possa iluminar nossos corações!
Que cada dia leve com você a maravilha do momento, que sempre passa...
Existir é um privilégio. E viver é maravilhoso! Que você tenha sempre paz e luz!!!

(Autor desconhecido)